A suficiência da Palavra de Deus na evangelização

Gosto muito de considerar as opiniões bíblicas de John MacArthur. No entanto, confesso que nem sempre estou de acordo com ele. Ainda assim recomendo seus livros e vídeos para muitos de meus irmão em Cristo, como o que pretendo fazer neste assunto, num tema muito importante: a evangelização.

Um de seus mais novos livros na língua portuguesa leva o título “Evangelismo” (Ed. Fiel). O primeiro capítulo do livro, escrito pelo próprio MacArthur*, impulsionou-me a escrever este post, sobre algo que considero fundamental: o peso (suficiência) da Palavra de Deus na evangelização. Pretendo, a partir de alguns versículos e as palavras do próprio autor do livro, passar uma ideia clara de como a Palavra de Deus é a chave e o poder para evangelização, bem como o equívoco de se pensar que o homem pode fazer algo que torne o coração do incrédulo mais ou menos propício para receber o dom da graça. Abaixo:

Todas as palavras que estiverem em itálico são de John MacArthur.

A passagem de Romanos 1.16 (e v.17) foi a mais marcante na transformação da vida de Martinho Lutero: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.” O apóstolo Paulo foi muito claro ao mostrar com firmeza a suficiência do Evangelho [as boas novas] para a salvação dos que creem. Tal notícia era atraente porque oferecia libertação do labirinto de regulamentos opressivos feito pelos homens e impostos pelos fariseus. Por outro lado, era assustador seguir a Cristo – requeria entrar pela porta estreita, negar a si mesmo, obedecê-lo até a morte. Seguir a cristo significava reconhecer a sua divindade e que sem ele não há salvação ou outro meio para reconciliar-se com Deus. Ademais, Jesus pregava a mensagem de arrependimento, submissão, sacrifício, dedicação radical e exclusividade.

Apesar do claro ensino de Paulo, há um mito dominante no evangelicalismo, que diz que o sucesso do cristianismo depende de sua popularidade. As pessoas toleram a ideia de que a sagacidade cultural de um pastor determina quão bem-sucedida será sua mensagem, e quanto sua igreja será influente. Tal abordagem, porém, vai contra o paradigma bíblico, cujo poder do Espírito no evangelho não se encontra no mensageiro, e sim, na mensagem.

Tal erro leva à noção perigosa de que a conduta e a palavra do pastor devam ser determinadas pela cultura em que ele está ministrando e um grande problema de se pensar assim é que, acima de tudo está a noção falsa de que um pastor possa fabricar conversões verdadeiras se ele parecer ou agir de determinada forma. O fato básico é que somente Deus controla a salvação de pecadores, como resultado de qualquer pregação. Muitos pregadores estão dispostos a alterar a mensagem da salvação de Deus e seu padrão de santidade. O resultado, é claro, é outro evangelho que não é evangelho algum.

Na parábola do semeador (Mc 4), Jesus é enfático em mostrar que a qualidade do solo em que a semente cai é a variável presente. O semeador e a semente são os mesmos, ou seja, o evangelista é o mesmo e o Evangelho é o mesmo.

“Vocês foram regenerados, não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da Palavra de Deus, viva e permanente” (1Pe 1.23  grifo meu).

Quando o apóstolo Pedro comenta sobre a regeneração, produto da salvação, ele se faz igualmente claro em apresentar o meio: a Palavra de Deus. Coisas externas não são o que fazem a semente germinar. O poder do Evangelho está na operação do Espírito Santo, não no estilo do semeador. Quando pessoas argumentam que o pastor deve comportar-se como determinado segmento da cultura para melhor alcançá-lo, deixam de compreender o que Jesus está destacando.

“Porque o nosso evangelho não chegou a vocês somente em palavra, mas também em poder, no Espírito Santo e em plena convicção” (1Ts 1.5).

Além de saber bem o papel da Palavra, Paulo compreendia muito bem seu lugar na evangelização. Quando ele levou as Boas Novas a Corinto, plantou uma igreja e deixou-a aos cuidados de Apolo. Mais tarde, descreveu a experiência assim: “Eu plantei, Apolo Regou; mas o crescimento veio de Deus” (1Co 3.6). O preparo do coração para receber o evangelho é obra do Espírito Santo. É ele quem convence (Jo 16.8-15), regenera (Jo 3.3-8) e justifica (Gl 5.22-23). A obra no coração é domínio de Deus.

Jesus nunca sugeriu que devêsemos culpar o agricultor pela resposta negativa à mensagem do Evangelho. Os pecadores rejeitam a verdade e amam seu pecado. O problema não está no mensageiro fiel ou no verdadeiro evangelho, nunca! A única resposta possível das conversões é dizer que foi um milagre da graça e resultado da intervenção divina. O arrependimento verdadeiro é sobrenatural.

“Quem pode dizer: purifiquei o meu coração limpo estou do meu pecado?” (Pv 20.9) 

Que o nosso empenho na evangelização seja explicar a profundidade do pecado e seu merecido castigo com fidelidade a Deus no bom uso do meio que conduz imerecidos homens e mulheres ao imerecido lugar eterno na presença do santo e único Deus.

 

* O livro não foi escrito exclusivamente por John MacArthur, mas por toda a equipe da igreja que ele faz parte, Grace Community Church.


Comentários

Uma resposta para “A suficiência da Palavra de Deus na evangelização”

  1. O Livro FInalmente Vivos, de John Pipper desenvolve muito bem essa ideia de evangelização também…

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