A legalização do aborto e a nossa linguagem

Tiago foi claro: A língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma pequena fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno. Toda espécie de animais, aves, répteis e criaturas do mar doma-se e é domada pela espécie humana; a língua, porém, ninguém consegue domar. Ela é um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero. Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. (3.5-9)
 
Tiago não se poupou para nos informar do poder da língua. Palavras têm poder. A linguagem tem poder. Você já pensou como poderia ser diferente se, ao invés de contarmos a nossa idade a partir do momento que fomos paridos, nós contássemos quando fomos concebidos? (Aliás, “parido” para alguns é uma palavra esquisita, para outras é até um palavreado.) Somos tão acostumados a pensar na data que “nascemos,” que até nos esquecemos que já existíamos antes disso. É até um paradoxo linguístico dizer: “eu existia antes de nascer.”
 

Já pensou como a sociedade poderia pensar diferente sobre a vida (no útero) se não disséssemos: “eu vou ser pai” quando tal indivíduo já é pai (do rebento no útero)? Interessante que eu não me lembro de ter escutado mulheres grávidas dizerem “eu vou ser mãe.” A gravidez é verdadeiramente algo especial.

De fato, quando dizemos que nascemos numa tal data, comunicamos que naquele dia nós saímos “da barriga” de nossa mãe. No entanto, não é isso que realmente acreditamos quando assim falamos. Efetivamente, isso é o que cremos: “esse é o dia que minha vida começou!”

Eu não me surpreendo com esta decisão da liderança do governo brasileiro, de que o “aborto até o terceiro mês [de gestação] não é crime.” O que me surpreende é pensar que, apesar do livre acesso que temos à Palavra de Deus, preferimos entoar canções vazias de significado bíblico, mas apelidadas de evangélicas, do que refletir e adquirir uma mentalidade bíblica, cujo resultado renova a nossa mente (Rm 12:2).

Eu não comento sobre este assunto como se eu tivesse inventado a roda. Pelo contrário, todo o meu ser, e isso inclui a minha língua, ainda está num processo de santificação que não termina deste lado da história. No entanto, a medida que eu conheço a Deus por meio de Sua Palavra, na força do Espírito e pela graça de Jesus, minhas palavras mudam – para honra e glória do Pai.

Os lábios do justo sabem o que é próprio,
mas a boca dos ímpios só conhece a perversidade. (Pv 10:32 NVI)

 


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